sexta-feira, março 06, 2009

Essência

“Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Lançamo-nos em novos desafios. Mas, aos poucos, nós nos pegamos cometendo os mesmos erros do passado. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar.
Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Acredito que todos nós, quando crianças, escutamos certas frases e até hoje repassamos, por exemplo: "Não fale com estranhos". Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz “vá em frente” e a outra adverte “cuidado”.
Mas é possível dizer a alguém para não amar? Para não sofrer, para não chorar, para escolher a quem vai amar? O coração não tem lógica, não tem juízo, se entrega e, entre dores e amores, sobrevive, vive. E quando o “amor acaba” nos fechamos na dor, na solidão até que a ferida sare e mesmo com uma enorme cicatriz recomeçamos o ciclo, “novo amor”. Sempre estamos atrás de alguém pra nos dar amor, amor esse que deveríamos ter por nós mesmos.
De fato, o que acontece quando vamos atrás de alguém com esta intenção? Arrumamos, alguém que nos supra carência, que nos supra a falta de uma outra pessoa, que levante nosso ego, que nos dê amor. Será que isso é amor? Não, amor não faz com que dependemos de alguém, pelo contrário, amor liberta, amor confia, amor quer o bem, amor não faz sofrer, amor é diferente de dependência.
Por que é tão difícil ficar sozinho? Não acredito que ficar sozinho seja o destino de ninguém, porque é muito bom amar, porque é muito bom dividir as coisas com outra pessoa e ter objetivos em comum, mas também precisamos treinar o desapego. Imagine uma chuva de vento com um guarda-chuva: fica difícil segurá-lo, e ao mesmo tempo ele não vai nos ajudar em nada. Se o deixarmos, ficará mais fácil, vamos nos molhar do mesmo jeito, mas não vamos sofrer em segurar algo que não agrega em nada.
É isso que precisamos treinar: desapegar, aceitar as coisas como elas são, sem nos acomodarmos com isso. Sempre lutar, mas aceitar a perda. Com isso fica mais fácil não estarmos junto de pessoas que servem apenas como válvulas de escape. Tudo passa na vida, achar que ter alguém pra substituir outra pessoa vai te fazer bem é um engano, só vai gerar nova decepção, nova dor.
Então, o que fazer? Deixar de sentir, anular os sentimentos, calar a vida que teima em pulsar nas veias, o sangue quente a correr pelo corpo levando a esperança por todos os poros impulsionando a continuar? Ou, simplesmente ignorar todas essas emoções e vegetar numa redoma protegido de tudo e de todos, mas principalmente protegido de nós mesmos?
Temos poucas escolhas na vida. Ou vivemos apegados ao ontem, ao passado, ou damos uma chance ao hoje tentando visualizar o futuro. Não existe terceira opção. Estagnar, segurar o tempo no presente é impossível, ou paramos ou seguimos. Não existe "se" na vida prática, existe o sim ou não. Talvez, nem pensar: "se eu não fugisse”, "se eu não tivesse dito”, "se o caminho escolhido fosse o outro e não este”.
Destino traçado, ou ajudamos a traçar o nosso destino? Por que alguns conseguem e outros não? Porque são mais corajosos, se arriscam mais, vão à luta sem medo e mesmo perdendo não desanimam enquanto outros se acovardam, ficam em pânico de tentar, abaixam a cabeça, encolhem os ombros. Medrosos, deixam que a vida os levem a mercê como uma folha carregada pelo vento.
Isto é o que o destino quer, ou que nós deixamos que o destino queira?
Quantas vezes nós mesmos não damos uma pequena contribuição ao destino, às vezes erramos, às vezes acertamos, num eterno jogo de ganhos e perdas, que nunca ninguém vai saber quem realmente ganhou ou perdeu, só aquele que viu a oportunidade de ser feliz e deixou escapar por medo ou covardia. Vai saber de quem é a culpa... Nossa ou do destino”.

[Autor desconhecido]
Texto adaptado!

Um comentário:

Anônimo disse...

amigaa eu adoreei o textooo... fodasticooo!